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Trilhas da Educação - De casa em casa até pegar o diploma

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Criado em 14 de Abril de 2016
Trilhas da Educação - De casa em casa até pegar o diploma
Descrição

A vontade de desenhar as primeiras letras foi por anos interrompida. Ler e fazer as primeiras contas demorou mais do que deveria. Foi preciso sair da casa do pai e da mãe e morar com outras famílias. 

O que para a maioria das pessoas, especialmente as que moram na cidade, parece história dos tempos dos avós, ainda é vivido por centenas de crianças no interior do país. A história de hoje é de Adalberto Chaves Rodrigues, de 33 anos, e é também a história de seus irmãos, parentes e amigos.

“ Na verdade sempre mora e tal, em fazenda, aí os donos das fazendas sempre levam os filhos do pessoal que mora com eles na fazenda pra cidade e em troca disso eles dão os estudos. Isso é normal lá pra nós.”

Aos 11 anos de idade Adalberto saiu da fazenda e foi morar na cidade de Santa Filomena, que fica no interior do estado do Piaui. Só então ingressou no ensino regular.

“Aí lá eu fiz tudo: ensino fundamental, ensino médio... até que vim pra Brasília, que na verdade eu terminei o ensino médio aqui em Brasília, fiz o terceiro ano do ensino médio aqui em Brasília, antes de ingressar na Universidade de Brasília.”

Durante o ensino médio Adalberto já trabalhava. E foi dos patrões que surgiu o convite para que ele viesse morar em Brasília, na capital do país, onde poderia concluir o ensino médio e, quem sabe, fazer uma graduação.

“ Eu ainda meio que não sabia, era novato, nunca tinha saído de casa, tava em cidade grande pela primeira vez. Só que, essa família que eu vim morar aqui, a família Willer, a filha deles, da dona Iranete, a Fernanda, ela já estudava na UnB. E ela fazia medicina. E ela estudava muito, muito mesmo. Chegava ela tava na biblioteca estudando e tal. E aquilo ali foi me... me gerando uma expectativa, uma curiosidade: porque que a Fernanda estuda tanto? Aí eu fui e conversei com ela. E foi por aí que começou a minha batalha pra entrar na universidade de Brasília.”

Algumas tentativas e Adalberto, com muito esforço, conseguiu passar no vestibular da Universidade de Brasília no curso de Gestão Ambiental, pelo sistema de cotas, pois ele é negro. Não satisfeito, ele quis formar a sua comunidade de piauienses em Brasília, e dentro da própria universidade.

“ Depois de mim veio meus sobrinhos, veio amigo, veio irmãos, inclusive minha irmã se formou e já voltou pra lá (Piauí), formou em enfermagem, voltou e já tá trabalhando. Tem um outro irmão meu, formou agora em 2015, e dentro da UnB tem bem uns 10, tem primos, sobrinhos, todos que eu tentei influenciar ao máximo em ter oportunidade de alguma forma, e vieram, estão estudando, estão seguindo o mesmo caminho.’’

A Lei de cotas foi sancionada no Brasil em 2012 e, por meio dela, uma parcela das vagas nas universidades é reservada para estudantes oriundos da rede pública. Dentre estas vagas, uma parte é destinada para pessoas que se autodeclaram negros, pardos ou indígenas. No entanto, a Universidade de Brasília já utiliza o sistema de cotas desde 2004 e é uma das pioneiras no país. De acordo com o IBGE, nos últimos 10 anos triplicou o número de negros nas universidades, tanto em instituições públicas quanto nas privadas. Esse aumento é atribuído às políticas afirmativas, como a lei de cotas, que permitiu, por meio dos vestibulares tradicionais, além de programas como Sisu e Prouni, o ingresso da população negra e parda na universidade.

Para Adalberto, essa oportunidade significou a realização de um sonho e a oportunidade de incentivar o sonho de outros tantos. 

“ E assim eu espero que também eles também possam influenciar outras pessoas e assim possa virar uma bola de neve. Muita gente pensa que é impossível e tal, universidade pública é difícil o vestibular, quando na verdade não é. Se você quiser, basta querer.’’

Texto : Josiane Canterle / Narração : Fernanda Mastellari / Masterização : Wesley Pereira Lima / Vinheta : Luiz Antônio

Categoria: Boletim
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