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Educação no Ar: conheça o projeto Princesas Negras

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2018
Criado em 20 de Abril de 2016
Educação no Ar: conheça o projeto Princesas Negras
Descrição

Nesta edição do Educação no Ar nós vamos saber mais sobre o projeto Princesas Negras - que rendeu a  professora Mariana Soares Ferreira, do Jardim de Infância 603 do Recanto das Emas, no Distrito Federal, o Prêmio Professores do Brasil. A iniciativa do Ministério da Educação reconhece e valoriza o trabalho de professores de escolas públicas que contribuem para a melhoria dos processos de ensino e aprendizagem desenvolvidos nas salas de aula.

Mariana venceu a nona edição do prêmio realizada no fim do ano passado, na categoria pré-escola.  A professora de educação infantil investiu em um projeto que surgiu da experiência com as crianças de 4 a 5 anos de idade, como ela mesma conta.

"Esse projeto eu acho que nasceu deles, não de mim, né. E ele surgiu de uma pergunta de uma aluna. Eu gosto muito de contar muita história, esses contos mesmo, que eles gostam, a gente tem muito livro e eles escolheram o conto da princesa e o sapo. Aí teve uma aluna que falou: "professora, existe princesa negra?" e foi dali, da pergunta dela, e da insistência dela, que ela queria que eu sempre mostrasse essa princesa negra, que surgiu o projeto.”

Responder a tal pergunta deu trabalho. E a professora percebeu que surgia ali a oportunidade de falar sobre formação de identidade e cultura com essas crianças que não se enxergavam nos contos e histórias de fadas. Mariana lembra que - quando deu início ao projeto – precisou buscar recursos em várias áreas do conhecimento e que chegou a enfrentar certa resistência por parte dos próprios colegas professores - que a questionavam sobre a dinâmica adotada no dia a dia da escola. 

“Teve muitos que falavam: pra quê você vai ensinar África pra uma criança de quatro anos?” “por que tu tá levando mapa pra uma criança de quatro anos? Ela não entende o que é isso, ela não entende o que é África. Então, a cabeça também desse professor tem que começar a mudar. Porque, o que eu vejo, é que esse professor de educação infantil, às vezes, tem dificuldade de trazer alguns conhecimentos que ele acha que a criança não pode aprender.”

Mas as dificuldades ultrapassaram também a sala de aula. Mariana não achava material didático que respondesse aos questionamentos das crianças sobre a ausência de protagonistas negros nos livros de história. 

"Quando eu fui procurar essa princesa negra pra mostrar pra minha aluna, porque ela queria ver, ela queria enxergar, não achei. Então, eu tive que ir pra internet. Eu liguei pra editora, mandaram. Quer dizer, eu tive que montar esses livros pra mim, um acervo meu pra tá trabalhando com eles. Chega, às vezes, ser difícil porque dois eu tive que ainda adaptar pra idade deles, né. Usei a imagem, ainda tive que adaptar na hora de contar pra eles as histórias porque é difícil encontrar.” 

Com a repercussão do trabalho, a contação de histórias ganhou para a professora - e para os alunos – um sentido maior: além da diversão, todos passaram a se conhecer melhor, entender suas origens e valorizar o lugar onde vivem – considerado uma das regiões mais vulneráveis do Distrito Federal.  

“Ninguém trabalha com a diversidade, com as diferenças, né. É um conteúdo importante, essencial, trabalha com a identidade desse aluno e a gente, às vezes, tá trabalhando essa identidade com o modelo padrão e o meu aluno ele tá na diversidade, ele é diferente, cada um tem suas diferenças e, às vezes, a gente não sabe trabalhar essas diferenças, tem dificuldade quanto a isso.”

Depois de muito empenho, a professora Mariana, do Jardim de Infância 603 do Recanto das Emas, no Distrito Federal, acredita que o Prêmio Professores do Brasil veio para legitimar toda dedicação que ela tem como educadora de escola pública – exemplo que ela quer que as crianças aprendam desde cedo. 

“Com esse projeto eu vi uma transformação em cada criança e eu vejo que eles estão levando o que eles estão aprendendo. E nessa idade vão levar pra vida toda. Por que, eu sou professora de escola pública, então, quando alguém fala "ah, não tem jeito pra esse aluno", eu fico pensando, eu também sou de escola pública, entrei na universidade pública, aprendi a ler muito tarde, com nove anos idade. Então, isso não foi empecilho pra mim conquistar o mundo e também eu vejo isso pro meus alunos e quero isso pros meus alunos. Que eles tenham essa firmeza e consigam conquistar os sonhos deles.”

Para conhecer esse e outros projetos que venceram esta edição do prêmio, acesse http://premioprofessoresdobrasil.mec.gov.br.

O áudio está disponível gratuitamente para utilização das rádios.

20/04/2016 – Sonora: Marina Fauth 

Categoria: Boletim
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