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Trilhas da Educação - Nunca é tarde para sonhar e estudar

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Criado em 28 de Abril de 2016
Trilhas da Educação - Nunca é tarde para sonhar e estudar
Descrição

Ser mãe, trabalhadora e sozinha, criar dois filhos, não é tarefa fácil. E fica mais difícil quando não se sabe ler ou escrever. Crescer dentro de uma família que entende que trabalhar na roça é mais importante do que estudar pode deixar marcas profundas e que só começam a ser superadas com a construção de uma nova família e realizando antigos sonhos.

“Acompanhei meus filhos estudando. Eu trabalhei pra que eles estudassem, mesmo sendo em escola pública politécnica. Aí, a gente veio embora pra Brasília, eles quiseram melhorar, né. E que eu melhorasse pra não trabalhar de serviços gerais. Que eles cresceram e quiseram que eu melhorasse, mudasse para melhorar também. Sou muito feliz sendo mãe deles e pai. Eu sou mãe e pai. E eles são os dois meus pais. Me criou, eu criei eles e eles estão me criando.”

Esta mãe apaixonada é Jovenilha Xisto, que aos 60 anos, e com o apoio dos dois filhos, foi pela primeira vez para a escola.

“Eu não sabia nada nada. Foi ano passado. Eu não assinava o meu nome. Tô aqui tô feliz demais. Muito. Que a gente tem que ter o principal: é primeiro Deus, a saúde e o estudo. Essas três coisas eu penso ser prioridade pra mim.”

Corajosa, ela foi sozinha fazer a matrícula para começar seus estudos. Venceu os fantasmas do passado ao enfrentar a sala de aula e a lembrança de tudo o que lhe foi negado. 

“Sempre eu quis aprender. Sempre, sempre, sempre. Não tinha como eu trabalhar, cuidar dos filhos, sozinha, né. Não tinha nem tempo, nem como ter. Tempo que eu trabalhei em dois serviços, à noite e ao dia. Eu não gosto muito de relembrar sobre isso.”

Jovenilha sentiu, de todas as formas, as dificuldades de não saber ler e escrever, mesmo nas coisas mais simples do dia a dia.

“Eu quero te dizer no meu caso. A coisa mais importante ultimamente é a coisa mais importante que eu acho é aprender, cada vez mais. Posso falar, pior coisa que você tem é você sair na rua e não saber olhar pra onde você vai. Você tá praticamente cega, certo?”

Sua voz é triste e conversa quase sussurrando, como que quisesse guardar segredos. Essa tristeza some quando ela fala dos filhos e dos sonhos que ela acredita que vai poder realizar depois de alfabetizada.

“Eu quero cuidar de criança, eu amo criança. Quero cuidar de criança, quero ser uma cuidadora de criança.” 

A taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais foi estimada em 8,3% pelo IBGE na última pesquisa, feita em 2014. Isso significa que mais de 2 milhões de pessoas ainda não sabem ler e escrever. Para mudar essa situação, cada vez mais o Governo Federal tem incentivado a Educação de Jovens e Adultos (EJA) e tem meta de número 10 do Plano Nacional de Educação (PNE) como grande desafio: integrar a educação de jovens e adultos à educação profissional. Essa seria uma forma de incentivar às pessoas para estudar e com possibilidades de crescer profissionalmente. 

Pode não ser fácil começar a aprender algo novo, mas o que não pode faltar, além do incentivo dos familiares e amigos, é força de vontade e determinação, como a da Jovenilha.

“É fundamental, eu acho, como tenho certeza que eu vou aprender. Já estou aprendendo. Eu entrei no ano passado. Passei né, passei de ano. Tá difícil, mas eu chego.”

O áudio está disponível gratuitamente para utilização das rádios.

29/04/2016 – Texto : Josiane Canterle / Narração : Fernanda Mastellari / Masterização : Jeyson Gonzaga / Vinheta : Luiz Antônio

 

Categoria: Boletim
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