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Trilhas da Educação - A pesquisa motivada pela solidariedade

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Criado em 26 de Agosto de 2016
Trilhas da Educação - A pesquisa motivada pela solidariedade
Descrição

Todos os anos, os sertanejos esperam a chuva na esperança que ela encha os açudes, molhe a terra que vai receber as sementes e transborde as cisternas para o abastecimento das famílias, garantindo o uso da água por parte do ano. A realidade de milhões de brasileiros que vivem em regiões secas do país nem sempre é conhecida por parte da população, mas a preocupação com a escassez de chuva e falta d’água é de todos. 

Prova disso é o interesse de um grupo de estudantes de Campinas, no estado de São Paulo, ao desenvolver um projeto que ajuda a melhorar a qualidade da água armazenada nessas cisternas na região do semiárido - que abrange mais de 20% dos municípios brasileiros e onde vivem mais de 22,5 milhões de pessoas, segundo dados do IBGE.

“Ao desenvolver o projeto a gente percebeu, eu particularmente, o quão importante é ajudar, porque a gente tá aqui na região sudeste, né, e água pra gente é uma coisa básica, né. E lá é como se fosse uma coisa de luxo. Foi muito marcante pra gente, pros alunos envolvidos neste projeto, porque a gente viu em alguns documentários, alguns vídeos e fotos, o quanto é triste essa realidade, entendeu. De não ter água para o que você quiser, ou fazer comida com uma água barrenta ou suja, crianças morrendo com diarreia.”

Beatriz Ruscetto, de 18 anos de idade, é uma das estudantes da Escola Técnica Estadual Bento Quirino, que está a frente do projeto: um simples equipamento possível de ser acoplado a qualquer cisterna que produz o cloro necessário para desinfetar a água. Junto com Matheus Henrique Cezar da Silva e Gabriel Trindade, ela conta com a orientação de professores da Etec e do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) para o andamento do trabalho. Os estudantes também são bolsistas do CNPq e contam ainda com apoio do CTI Renato Archer e do Centro Paula Souza.

Cursando o ensino médio, integrado com técnico em eletrônica, Beatriz e os colegas se depararam com o desafio de aprender também sobre química para dar continuidade a pesquisa.

“E aí, a gente foi pesquisar mais sobre como a gente poderia tá solucionando este problema e a gente teve informação que o cloro é um agente desinfetante muito poderoso. A gente pensou como a gente poderia fabricar esse cloro com baixo custo. Então, a gente resolveu utilizar o método de eletrólise: que é uma reação química que acontece pelo fornecimento de energia elétrica que quebra a molécula de NaCl (cloreto de sódio, popularmente conhecido como sal ou sal de cozinha), separando o sódio do cloro. E esse gás cloro que sairia da eletrólise estaria borbulhando dentro da cisterna.”

Para garantir que o processo seja viável, os estudantes se esforçaram na busca por materiais alternativos, práticos e baratos, para que os próprios moradores possam produzir os equipamentos.

“A gente optou em usar peças de materiais de construções, tipo canos e conexões PVC. E tudo o que a gente fez foi pra facilitar o usuário, pra que quando tivesse lá no semiárido, independente de uma empresa, ou nada que tivesse peças especiais. Fosse tudo que pudesse comprar em loja, mesmo.”

O projeto, que será apresentado na conclusão de curso dos estudantes, já foi ganhador de um prêmio que contempla iniciativas inovadoras de jovens para a promoção da sustentabilidade. Mas, para Beatriz, essa conquista tem motivações ainda maiores. 

“Ver que você pode ajudar isso algum dia é muito especial. E quando a gente ganhou [o prêmio] foi uma confirmação de que a gente estaria no caminho certo e isso deu mais incentivo pra que a gente continuasse. Porque já tem um incentivo grande da gente tá pensando no pessoal do semiárido que é 99% de incentivo é isso. Pensar em quem tá precisando dessa água tratada.”

Beatriz pretende seguir na área de pesquisa e concretizar a ideia, espalhando informações para que qualquer pessoa possa comprar, montar e  cuidar da manutenção do equipamento- que ela acredita mudar a vida de milhares de pessoas.

Texto: Josiane Canterle; Narração: Fernanda Mastellari; Masterização: Milton Ferreira e vinheta: Luiz Antônio

Categoria: Boletim
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